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Janeiro, metas e frustrações: por que tentar mudar tudo quase nunca funciona

  • 7 de jan.
  • 2 min de leitura

Janeiro chega cheio de metas, mas muitas se perdem ao longo do ano. Entenda por que listas intermináveis geram frustração e como escolher uma meta com mais consciência.


Janeiro chegou… e com ele as listas de metas

Todo início de ano parece vir acompanhado da mesma pergunta silenciosa: “O que eu preciso mudar em mim?”


Janeiro chega com energia, esperança e uma vontade quase urgente de recomeçar. E, junto com ele, surgem listas intermináveis de metas: mudar a alimentação, a rotina, os relacionamentos, o trabalho, o corpo, a mente, a vida inteira.


Mas antes de escrever mais uma lista, talvez valha a pena fazer uma pausa — e escutar.


Por que repetimos o mesmo ciclo todos os anos?

O roteiro costuma se repetir: No começo do ano, estamos motivadas, cheias de planos e promessas. Mas com o passar dos meses, a rotina pesa, o cansaço aparece, e pouco a pouco as metas ficam para depois.

Até que, em dezembro, surge a frustração:“Não fiz nem metade do que queria.”

Na psicanálise, entendemos que esse movimento não é falta de força de vontade.Na maioria das vezes, é excesso de cobrança.


O problema não são as metas — é a forma como lidamos com elas

Muitas listas de janeiro têm três problemas principais:

  • Não têm um plano realista;

  • Não têm prioridades claras;

  • Não respeitam o tempo emocional necessário para mudanças profundas.


O resultado é previsível: quanto mais metas, maior a pressão. E quanto maior a pressão, maior a chance de desistência.


A mente entra em conflito. O corpo se cansa. E a frustração toma o lugar da motivação.


E se este ano for diferente?


E se, em vez de tentar mudar tudo de uma vez, você escolhesse uma única meta principal?


Uma meta que faça sentido para o seu momento de vida. Uma meta que dialogue com o que você realmente precisa — e não com o que “deveria” fazer.


Na prática clínica, vemos que mudanças sustentáveis acontecem quando há foco e escuta, não quando há excesso de exigência.


Trabalhar uma meta de cada vez não é pouco. É estratégia.


Quando você escolhe uma meta principal:

  • A cobrança diminui;

  • A clareza aumenta;

  • A chance de realização se multiplica.


Você deixa de se sentir constantemente em dívida consigo mesma e passa a construir resultados possíveis, concretos e verdadeiros.


Isso não é desistir de crescer. É respeitar o próprio ritmo.


O que muda quando dezembro chega


Quando o ano é vivido com presença, o sentimento ao final não é de culpa. É de orgulho.


Orgulho por ter sustentado algo até o fim. Por ter honrado seus limites. Por ter cuidado de si no processo.


A psicanálise nos ensina que não é a quantidade de mudanças que transforma uma vida — é a profundidade com que cada uma é vivida.


Um novo ano não precisa ser sobre fazer tudo


Talvez o novo ano não precise ser sobre dar conta de tudo. Talvez ele possa ser sobre fazer com consciência, com menos violência interna e mais cuidado.


Janeiro pode ser um convite à presença. Metas podem nascer da escuta, não da cobrança. E cuidar de si pode ser, finalmente, prioridade.


Que tal começar por aí?

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