Janeiro, metas e frustrações: por que tentar mudar tudo quase nunca funciona
- 7 de jan.
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Janeiro chega cheio de metas, mas muitas se perdem ao longo do ano. Entenda por que listas intermináveis geram frustração e como escolher uma meta com mais consciência.
Janeiro chegou… e com ele as listas de metas
Todo início de ano parece vir acompanhado da mesma pergunta silenciosa: “O que eu preciso mudar em mim?”
Janeiro chega com energia, esperança e uma vontade quase urgente de recomeçar. E, junto com ele, surgem listas intermináveis de metas: mudar a alimentação, a rotina, os relacionamentos, o trabalho, o corpo, a mente, a vida inteira.
Mas antes de escrever mais uma lista, talvez valha a pena fazer uma pausa — e escutar.
Por que repetimos o mesmo ciclo todos os anos?
O roteiro costuma se repetir:
No começo do ano, estamos motivadas, cheias de planos e promessas.
Mas com o passar dos meses, a rotina pesa, o cansaço aparece, e pouco a pouco as metas ficam para depois.
Até que, em dezembro, surge a frustração:“Não fiz nem metade do que queria.”
Na psicanálise, entendemos que esse movimento não é falta de força de vontade.Na maioria das vezes, é excesso de cobrança.
O problema não são as metas — é a forma como lidamos com elas
Muitas listas de janeiro têm três problemas principais:
Não têm um plano realista;
Não têm prioridades claras;
Não respeitam o tempo emocional necessário para mudanças profundas.
O resultado é previsível: quanto mais metas, maior a pressão. E quanto maior a pressão, maior a chance de desistência.
A mente entra em conflito. O corpo se cansa. E a frustração toma o lugar da motivação.
E se este ano for diferente?
E se, em vez de tentar mudar tudo de uma vez, você escolhesse uma única meta principal?
Uma meta que faça sentido para o seu momento de vida. Uma meta que dialogue com o que você realmente precisa — e não com o que “deveria” fazer.
Na prática clínica, vemos que mudanças sustentáveis acontecem quando há foco e escuta, não quando há excesso de exigência.
Trabalhar uma meta de cada vez não é pouco. É estratégia.
Quando você escolhe uma meta principal:
A cobrança diminui;
A clareza aumenta;
A chance de realização se multiplica.
Você deixa de se sentir constantemente em dívida consigo mesma e passa a construir resultados possíveis, concretos e verdadeiros.
Isso não é desistir de crescer. É respeitar o próprio ritmo.
O que muda quando dezembro chega
Quando o ano é vivido com presença, o sentimento ao final não é de culpa. É de orgulho.
Orgulho por ter sustentado algo até o fim. Por ter honrado seus limites. Por ter cuidado de si no processo.
A psicanálise nos ensina que não é a quantidade de mudanças que transforma uma vida — é a profundidade com que cada uma é vivida.
Um novo ano não precisa ser sobre fazer tudo
Talvez o novo ano não precise ser sobre dar conta de tudo. Talvez ele possa ser sobre fazer com consciência, com menos violência interna e mais cuidado.
Janeiro pode ser um convite à presença. Metas podem nascer da escuta, não da cobrança. E cuidar de si pode ser, finalmente, prioridade.
Que tal começar por aí?




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